Plano deve manter cobertura de recém-nascido
internado após 30 dias, mesmo sem vínculo contratual direto
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A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve acórdão
que determinou a uma operadora de plano de saúde a cobertura assistencial para
um recém-nascido submetido a internação que ultrapassou o 30º dia do seu
nascimento, ainda que ele não tenha sido inscrito como beneficiário no
contrato.
O colegiado entendeu que, apesar de a Lei 9.656/1998 prever a cobertura
sem inscrição apenas para os primeiros 30 dias após o nascimento, deve ser
resguardado o direito dos beneficiários que estejam em tratamento ou
internados.
A mãe é dependente do plano de saúde e, logo após o parto, o
recém-nascido foi submetido a uma cirurgia cardíaca, necessitando de internação
por período superior a 30 dias. Ela ajuizou ação contra a operadora para manter
a cobertura até a alta. O pedido foi deferido em primeiro grau e confirmado
pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.
Internação em curso deve ser coberta mesmo na rescisão do contrato
A relatora, ministra Nancy Andrighi, explicou que o artigo 12, III, a, da Lei 9.656/1998 estabelece garantia
de cobertura assistencial ao recém-nascido, filho natural ou adotivo do
consumidor, ou de seu dependente, durante os primeiros 30 dias após o parto.
Após esse prazo, é assegurada a inscrição do menor como dependente no plano,
isento do cumprimento dos períodos de carência (artigo 12, III, b, da Lei 9.656/1998).
Para a magistrada, é possível inferir que, até o 30º dia, a cobertura
para o recém-nascido decorre do vínculo contratual entre a operadora e a
parturiente, beneficiária de plano que inclui atendimento de obstetrícia; a
partir do 31º dia, a cobertura para a criança pressupõe a sua inscrição como
beneficiária – momento em que se forma o vínculo contratual entre ela e a
operadora, tornando-se exigível o pagamento da contribuição correspondente.
Com base na jurisprudência do STJ, a ministra comentou que, mesmo quando
ocorre a extinção do vínculo contratual – e, consequentemente, cessa a
cobertura –, "é sempre garantida a continuidade da assistência médica em
favor de quem se encontra internado ou em tratamento médico indispensável à
própria sobrevivência/incolumidade" – situação em que se encontra o
recém-nascido do caso em julgamento.
Operadora tem direito ao ressarcimento das despesas
"Se, de um lado, a lei exime a operadora da obrigação de custear o
tratamento médico prescrito para o neonato após o 30º dia do parto, se ele não
foi inscrito como beneficiário do plano de saúde, impede, de outro lado, que se
interrompa o tratamento ainda em curso, assegurando, pois, a cobertura
assistencial até a sua alta hospitalar", afirmou Nancy Andrighi.
Na sua avaliação, a solução que atende a ambas as partes, no caso, é
assegurar à operadora o direito de recolher as quantias correspondentes às
mensalidades da categoria, considerado o menor como se fosse inscrito (usuário
por equiparação), durante todo o período em que foi custeada a assistência à
saúde, como ocorre nas hipóteses de contratos extintos no curso do tratamento
médico do beneficiário.
O número
deste processo não é divulgado em razão de segredo judicial.
FONTE: STJ
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